Aproximar o cidadão do político. Esse é o
grande desafio das campanhas eleitorais. Brazlândia está à frente das demais
cidades do DF. A cidade aprovou e provou dessa relação próxima: cidadão e
político.
Por três sucessivas campanhas a cidade
elegeu representante político dentre seus candidatos aos pleitos eleitorais de
1990/94, 94/98 e 98/2002. Em um desses pleitos Brazlândia teve até duas
cadeiras na Câmara Legislativa do DF (CLDF). Porém, já fazem mais de dez anos
que a cidade não elege seu representante político para a CLDF. Nova chance terá
somente em 2014.
A eleição
de cidadãos brazlandenses para o poder legislativo foi possível num momento
inicial da autonomia política do DF.
Após esse período, a cidade já sente os efeitos da falta de
representante político eleito para a CLDF. Brazlândia não tem nenhum cidadão
eleito para a Câmara Legislativa desde 2002. Isso é fato. Lamentável, por
sinal!
Brazlândia
possui excelentes quadros políticos, lideres que trabalham em prol de uma
cidade melhor. O que falta, então, para termos nosso representante sentado numa
cadeira da CLDF e defendendo nossa cidade?
Não
sabemos se, o fato de não votarmos, com suficiência de votos, em candidatos
genuínos da cidade, é uma decisão do eleitor brazlandenses ou se a culpa é do
antiquado sistema eleitoral brasileiro. Sistema esse que exige uma urgente
reforma política eleitoral no seu mecanismo de eleição, seja de vereadores, de
deputados estaduais (distritais) ou federais.
Veículos
de informação e formação de opinião pública, visando também o eleitor de
Brazlândia, já começaram a apresentar as pretenciosas pré-candidaturas à
eleição de 2014. Brazlândia já possui mais de dez pré-candidatos a cargos
eletivos de 2014, com possibilidade de chegar a umas vinte pré-candidaturas no
total. A cidade sempre foi abundante de candidatos. Muitos já foram até
testados nas urnas e rejeitados pelo eleitorado de Brazlândia. Quem perde, eu
diria, não são aqueles que não conseguem sair vitoriosos nas urnas, mas sim a
cidade.
A
causa, reafirmo, é a culpa do arcaico mecanismo de eleição que permite a
eleição por proporcionalidade e quociente eleitoral.
A
prova disso é que, nas eleições de 2010, Brazlândia ficou com dois candidatos
que, apesar de grande aceitação do eleitor da cidade (mais de oito mil votos
cada um), mesmo assim, seus votos os deixaram somente na condição de suplentes.
A causa: o voto proporcional. Novamente! Qual a solução?
Tenho
defendido, em diversas conversas, a mudança dessa regra arcaica baseada na
representação do sistema proporcional por quociente de votos. Minha bandeira de
luta é que a eleição, para aproximar o cidadão do político, deve, nas eleições
proporcionais, dividir o DF em distritos eleitorais. Aliás, essa discussão já
possui contornos nacionais, e a ideia é dividir o país em Distritos. Nesse
sentido já existem mais de cinco propostas de emenda constitucional (PECs) que
tramitam na Câmara Federal.
Pois
bem! Aprovada a proposta de voto distrital, Brazlândia não amargaria tanto esse
jejum de representação política na assembleia distrital (CLDF), a cadeira que
pertenceu a cidade está desocupada desde 2002, quase dez anos. Com isso
Brazlândia perdeu muito, inclusive na qualidade dos debates políticos que
ocorrem na cidade. Mesmo tendo mais de dez pré-candidatos a distrital em 2014,
passado somente um ano da ida dos cidadãos brazlandenses às urnas de 2010, se
olharmos para “estrangeiros” com campanhas alternativas à dos candidatos
naturais da cidade, podemos perceber que a representação política “pura” de
Brazlândia, corre o risco de não acontecer novamente. É preciso acordar para a questão da representatividade política de
Brazlândia na Câmara Legislativa.
O
ideal seria uma ampla campanha da sociedade brazlandense pressionando o sistema
que existe para que seja discutido a implantação do Voto Distrital, senão for o
“puro” –que incomoda muita gente-, que seja o sistema misto (uma combinação do
voto distrital com o voto em listas fechadas apresentadas pelos partidos).
Assim teríamos as vantagens do voto distrital, onde aproxima o cidadão do
político: ele fiscaliza mais porque sabe quem é o deputado do seu distrito e
torna a eleição mais barata, pois, ao invés do candidato fazer a campanha no
estado inteiro, fazia apenas no distrito.
Assim,
teríamos, nós eleitores, dois votos: um no candidato do meu distrito e outro no
partido. Isso resolve o problema da representatividade, fortalece a democracia
e Brazlândia ganha cidadania representativa política na Câmara Legislativa em
2014. Vamos à luta!
*João Moura é filho de Brazlândia, Filósofo, Professor
e especialista em Ciências Humanas.

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